domingo, 23 de junho de 2013

Dia 0 - De presentes e livros

Como se sabe, uma viagem sempre começa antes do avião decolar. Compra de passagem, reservas, planejamentos, esquemas de última hora etc. Minha parte favorita, porém, é a compra de livros ou revistas para ir matando o tempo em aeroportos, poltronas e quartos.No caso desta viagem, eu ainda decidi comprar presentes para os meus anfitriões - Elena e Viatcheslav -, que gentilmente abriram sua casa para mim.

Primeira dúvida: o que comprar pros russos? Pensei em livros de fotos, mas a maioria me pareceu pesada e sempre na linha "praia-natureza". Coletânea de contos de autores brasileiros em inglês? Não consegui achar, embora esteja quase certo que exista. Já irritado, fui para seção de música popular, que, afinal, é uma das grandes contribuições do Brasil pro mundo. DVD do filme do Nelson Pereira sobre Jobim foi fácil escolher, mas resolvi enfiar também o documentário sobre Tropicália. Fiquei com a dúvida: seria o Tropicalismo algo traduzível para russos? Afinal, pra entender aquela genial bagunça, seria preciso captar o significado do nacional-popular nos anos 60, a obsessão nativa pela "questão nacional" e por aí vai. Além disso, o quão "universais" seriam aquelas canções? Dúvidas de periféricos, sem dúvida. Nenhum alemão escrevendo sobre esfera pública ou razão comunciativa jamais parou para se perguntar se o que ele diz faz qualquer sentido para um sujeito que pega ônibus no Rio de Janeiro. Então, vamos de tropicalismo mais Jobim, e não se fala mais nisso.Até porque, de obsessão com o nacional, os russos também entendem. E desde muito tempo

Para meu consumo próprio, pensei logo nos russos, é claro. Um volume grande dos contos do Nabokov parecia legal, mas era muito pesado (nesse momento, senti falta de um Kindle ou Kobo). Na seção de poesia, me deparei com uma tradução bilíngue do Pushkin, de seu famoso poema "O Cavaleiro de Bronze", que se passa em São Petersburgo. Beleza pura. Mas, por que não um livro escrito por não-russos sobre a cidade? E lá fui eu com Bernardo Carvalho e seu "O Filho da Mãe", que tem como pano de fundo a crise entre Rússia e Chechênia. Alias, para quem não nunca ouviu falar, Bernardo Carvalho tem um livro sensacional chamado "Nove Noites", obrigatório para quem é cientista social, em especial antropólogo. Vejam aqui.

A nota cômica ficou por conta das minha distração. Entre livraria, caixa automático e casa, esqueci DUAS vezes a sacola de livros e presentes em diferentes lugares. DUAS vezes, meus amigos. Sei não, esta viagem começou estranha.  

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