quarta-feira, 3 de julho de 2013

Dia 10 - Ulitsa Tverskaya, 20/50

Meus tres leitores, o decimo dia, na verdade, e o dia da partida. Estou em casa arrumando as coisas, pois o meu casal de anfitrioes vai passar daqui a uma hora para me pegar e levar ao aeroporto. De fato, muito gentis. Hoje, portanto, falo um pouco do meu lugar aqui em Piter, que fica no endereco que e o titulo do post de hoje.

Eu fico bem no final da referida rua, em um predio em obras. O ponto historico mais importante proximo e o Instituto Smolny, dentro do parque de mesmo nome. Esse Instituto foi outrora um predio administrativo importante ocupado por Lenin. Infelizmente, tem que agendar visitas guiadas por la, e imagino que so em russo. Fora isso, a area e bem residencial e tranquila, e nao ouco nenhum barulho de noite. 

Reparei que boa parte dos predios aqui seguem a mesma estrutura: uma porta de ferro debaixo de um arco de entrada; um jardim ou area interna, que pode ser circular ou retangular, e onde os moradores estacionam seus carros; diversos apartamentos, de tamanhos variados, com entradas independentes, como se fossem blocos. O meu aqui tem um banheiro e uma cozinha, e 3 quartos um ao lado do outro, sendo que apenas um e efetivamente um quarto de dormir. Outro funciona como escritorio e o terceiro e uma especie de sala de estar `historica`, na qual a Elena guarda os moveis dos avos dela. 

Eu escrevo estas linhas no escritorio, no qual ha uma escrivaninha de frente para a janela. Tambem ha plantas, sempre a lembrar o meu fracasso principal nesta viagem: Elena me encarregou de regar regularmente as bichinhas, e obviamente so lembrei de faze-lo hoje de manha. Pelo menos uma planta me parece completamente morta. Que vergonha, meu Deus...

Passei muito tempo aqui neste apartamento. Dadas as longas noites brancas, nao era incomum que eu chegasse perto das 18, 19 horas, e ficasse ate meia noite lendo ou escrevendo alguma coisa. Esta experiencia, bem diferente da de um hotel, foi muito legal para que eu pudesse dar uma mergulhada maior na vida da cidade e na propria lingua.Ver os moradores chegando e saindo, sair pra fumar no jardim interno, folhear os livros dos anfitrioes, ver os jogos do Brasil narrados em russo, correr no parque Tvarichesky, tudo isso ajudou a me sentir mais `em casa` por aqui. Por isso agradeco demais a Elena e ao Slav (na verdade, forma curta para Viatcheslav) por essa oportunidade, e fico na esperanca de poder retribuir algum dia, la no Rio. Com certeza vou sentir falta deste apartamento, pois minha memoria da cidade esta completamente relacionada ao lugar de onde partia diariamente para explora-la, e para onde voltava com a sensacao de familiaridade tao reconfortante. Sao Petersburgo para mim vai sempre passar por essa rua, e, mais especificamente, por este apartamento. Fui.     

Dia 9 – Fe, patria e comercio…



Dia 9 – Fe, patria e comercio…

Meus tres leitores, hoje ja acordei cansado, embora tenha tido uma otima noite de sono. Ja sao muitos dias na rotina de viajante, andando mais de 3 horas por dia, quase sempre com sol na cabeca. Diante de tal fato, prometi que faria um programa mais light no meu ultimo dia inteiro aqui. Mas, acabou que nao foi bem assim…

No final da manha, fui ao mosteiro-memorial para Alexander Nevsky. Esse cara foi um principe de Novgorod, um dos mais importantes principados russos antes da unificacao do Estado, e derrotou os suecos numa batalha no seculo XIII, acho que em 1240. Depois disso, foi convertido oficialmente em santo, e o lugar que fui hoje foi construido em sua homenagem…

Visitei a catedral da Santissima Trindade, que nao e uma igreja turistica. Ela funciona normalmente como templo religioso, e quando cheguei estavam ocorrendo cerimonias. O plural se explica pelo que observei la. Primeiro, vi uma especie de sermao feito pelo padre, que estava todo vestido de preto, como e costume na fe ortodoxa. Depois do sermao, ele levou a cruz para os fieis, e cada um deles beijou o artefato. Em seguida, outro padre se postou em frente a um icone na parte traseira da igreja. La, iniciou uma longa e hipnotica oracao, enunciada enquanto  `defumava` o ambiente com incenso.  Os fieis, atras dele, faziam repetidamente o sinal da cruz enquanto se curvavam seguidas vezes. A Igreja e repleta de belissimos icones, e os russos costumam beijar os quadros, o que faz com que uma beata sempre esteja passando um paninho pra dar uma limpada basica.

A Igreja Ortodoxa e parte do grande ramo cristao, mas me parece bem mais mistica e `arcaicizante` do que a Igreja romana. Nao vou tentar dar peruada em assunto que desconheco (embora este blog seja prodigo em peruadas), mas talvez valha a pena perder um tempinho lendo este texto para entender melhor.

Em frente a Igreja, havia um cemiterio, no qual varios `herois da Uniao Sovietica` estao enterrados. Pois e, grandes herois do regime ateu foram homenageados com lapides em um dos simbolos da Russia profunda e religiosa, e, por que nao dizer, conservadora. Mais uma vez, os `dois tempos` de Petersburgo se conectam. No fundo, trata-se do comunismo reatualizando o antiquissimo nacionalismo russo. Alias, como exemplo disso, temos o grande filme do cineasta sovietico Sergei Eisenstein, intitulado justamente...Alexander Nevsky. Isso em 1938, no auge do regime stalinista!

Depois dei um pulo no Palacio Stroganoff (sim, e este mesmo o nome), grande mansao que virou um museu. Eu realmente me impressiono com o acumulo de dinheiro e poder nas maos da aristocracia russa do seculo XIX. Imaginem isso tudo depois da Revolucao de 1917…depois, almocei no Gosti, que ja apareceu por aqui antes. Embora tenha comido muito bem, fiquei um pouco irritado porque percebi que eles nao me deram o menu do `dia`, que e bem mais barato do que a carta normal. E aquela coisa, entrou com cara de turista, taca o menu normal. Acabei ficando menos chateado porque a comida elevou a alma, e isso sempre termina por redimir os pecados da burrice e da ignorancia. 

O resto do dia foi dedicado a um negocio que costumo odiar, e que se chama `fazer compras`. Desta vez, queria levar umas lembrancas para o Brasil, mas confesso que nao tive tanta paciencia. Uma feirinha ali, uma lojinha do outro lado, uma parada de hora e meia numa livraria enorme, e finalmente me vi no tal Gostiny Dvor, especie de centro comercial principal da cidade. E uma construcao muito bonita, e nos tempos `antigos` era um mercado mais popular. Hoje, tornou-se uma imensa loja de departamentos, e voce vai andando de um estande para outro em sequencia, ja que nao ha divisorias. Mas, e a mesma coisa de qualquer shopping do mundo. Nao sei como consegui ficar meia hora ali, mas consegui. Inutilmente, e claro.

Acabei comprando umas besteirinhas, mas nada de relevo. Enquanto andava de volta para casa, em mais uma longa caminhada de uma hora de duracao, pensava que esta cidade talvez nao tenha mudado tanto assim. Claro que 70 anos de comunismo contribuiram para produzir uma sociedade bem fechada em si mesma, mas Sao Petersburgo sempre fora cosmopolita e imperial, um porto aberto para a Europa e um centro urbano para os negocios e para exibicao de poder. Aqui, a conjuncao entre fe, patria e negocios nao parece ter dado curto-circuito, pois esta na genealogia do lugar…meu passeio hoje resumiu bem essa equacao. 

terça-feira, 2 de julho de 2013

Dia 8 - Cenas da rua de Piter

Dia 8 - Cenas da rua de Piter



Meus amigos, hoje foi um dia dedicado a camelagem cultural. Andei muito ate achar o Museu da Vanguarda  de Sao Petersburgo (que, na verdade, tem um nome algo exagerado), e depois dei um pulo na casa de Dostoievsky (na verdade, ele morou la 3 anos apenas. Durante sua vida inteira, morou em mais de 20 lugares, pois estava sempre devendo dinheiro). Foi bem legal, em especial a casa-memorial, que tinha um audio-guia excelente para acompanhar a visita, mas hoje gostaria de escrever observacoes mais gerais sobre o que vi pelas ruas daqui. A julgar pelas visualizacoes diarias do blog (3 em media, sendo que um e meu pai), talvez seja hora de tentar outra abordagem para atrair o estimado publico-leitor.

A primeira coisa que reparei nas ruas de Piter e a quantidade de flores e floristas. Ha lojas grandes dedicadas ao `tema`, e perto da estacao de metro que mais frequento, a Chernychevskaya, ha ate vendedoras que ficam nas portas anunciando as ofertas de flores no microfone. Nao e incomum ver gente andando com ramalhetes ou flores solitarias, imagino que tenha algo a ver com a passagem da primavera na Russia. Outra caracteristica marcante das ruas e o quiosque de frutas. Em todo lugar ha uma vendinha de rua onde uma senhora exibe morangos, cerejas, peras etc. Em geral, sao pequeninos quiosques, como os de chaveiro que vemos nas ruas do Rio. Mas, ha tambem vendedores informais, que colocam vegetais e algumas frutinhas em caixotes na frente de areas movimentadas, mas sao mais raros.

Nao vi supermercados nas area centrais, embora esteja quase certo que eles existam em locais menos densamente povoados da cidade. O que tem muito sao mercados pequenos, alguns funcionando 24 horas, oferecendo uma variedade bem razoavel de enlatados, vegetais, frutas, queijos, bebidas, congelados etc. Aqui ao lado tem um, no qual costumo fazer minhas compras. Uma curiosidade e que os sacos plasticos sao cobrados, e voce deve pedir explicitamente um, caso contrario a caixa nao vai te dar nada e voce vai levar tudo na mao. Nao ha `empacotadores` tambem, o sujeito tem que sair do caixa com a cestinha e o saco, e fazer sua trouxa numa bancada, para nao atrapalhar o fluxo (e uma boa ideia, os mercados do Rio deveriam adotar).Tambem nao vi mercados de rua, embora sei que ao norte existe um classico mercado de pulgas ao estilo da nossa feira da Praca XV, embora bem mais popular e ferrado. Pela descricao, nao me animei muito a ir nao.

O que se vende muito pelas ruas tambem e sorvete. Em toda area central, ha vendedores com carrinhos oferecendo agua, suco, refrigerantes e sorvete, que e um produto consumido com voracidade pela populacao local. Nas duas entradas do meu parque habitual, sempre ha filas para os quiosques de sorvete, seja qual for a hora do dia.

O metro merecia um post a parte. Como ja disse, as estacoes sao bonitas, embora nao estejam no nivel de grandiosidade das moscovitas (estas foram chamadas por Stalin de `palacios do povo`). O que impressiona sao as longas distancias dentro das estacoes, seja para baldeacao, seja para simplesmente sair do buraco, ja que todas sao bem profundas. A estacao proxima ao Hermitage, por exemplo, tem uma escada rolante tao monumental que, no meio do caminho, voce nao consegue ver nem a entrada, nem a saida dela. Ao final de cada escada rolante, ha uma cabine com uma mulher vestida de terninho azul e quepe vermelho. Ela e responsavel por manter a ordem nas escadas, e hoje mesmo vi uma advertindo um papai que insistia em botar o filho no ombro na escada rolante. Levou um chamado estilo URSS decada de 30, por microfone, para todo mundo ouvir. A entrada e a saida dos vagoes sao bem organizadas, o povo so comeca a entrar depois que a ultima pessoa sai, e velhinhos em geral conseguem sentar-se com facilidade, pois geral da lugar.

Em quase todo ambiente fechado pode-se fumar, embora em muitos haja areas separadas. Hoje estive em um café no qual TODAS as mesas eram para fumantes, e TODAS as pessoas fumavam. Assim fica dificil eu reduzir, caramba…Entretanto, nas ruas nao se ve guimbas de cigarro no chao. O povo espera chegar uma lixeira de rua e taca la.

O que e como se come por aqui: a opcao mais barata sao as chamadas stalovaias, que sao uma especie de restaurante popular. O sujeito vai no balcao, pega uma bandeja e escolhe a comida, sendo servido na hora por funcionarias. Basicamente, um refeitorio universitario com comida de melhor qualidade. Entretanto, o rango nao e la grandes coisas. Na Fortaleza, eu comi nesse estilo, e minha lembranca e a cerveja apenas. Outra opcao sao os menus do dia. Numa area cara da cidade, comi salada, sopa, prato principal e cha por 300 rublos (algo em torno de 20 reais).

O que sobrevive do passado comunista pelas ruas? Talvez as velhinhas vendendo verduras nos caixotes e os quiosques com cigarros, agua, revistas e outras utilidades basicas. Uma certa organizacao do fluxo humano tambem, bem como a ausencia de ocupacao informal da area urbana. No caso de construcoes, vi pouca coisa. Pelo que entendi, boa parte da arquitetura sovietica foi feita fora da area central, que ja era densamente construida. Assim, mansoes e palacios foram transformados em escritorios do Partido Comunista, ou mesmo sedes de sindicatos e museus. Para voces terem uma ideia, a Catedral de Sao Isaac (ver post anterior) foi ocupada na primeira metade da decada de 1930 por um Museu do Ateismo!! Pensando bem, isso faz sentido, se estamos falando do projeto de uma sociedade comunista. O Brasil e que e surreal, afinal o nosso arquiteto mais famoso foi comunista e projetou mais de uma catedral, e nenhum Museu do Ateismo.

Os espacos nos quais a rua realmente `acontece` sao os parques. Sao nessas areas verdes que as pessoas se encontram, deitam, conversam, namoram e passeiam. Todos os que vi (e estive em areas mais afastadas, como no norte) sao bem cuidados e convidativos. Como ja disse, a cidade e rapida, as ruas compridas e largas, e so os turistas parecem flanar por elas despreocupadamente. E claro que durante o periodo das `noites brancas`, a coisa se altera um pouco. E muito comum ver nego com cerveja pelas ruas, em geral garrafas de meio litro, mas no domingo que fiquei ate duas da matina, nao vi bebedeiras homericas nas margens do Neva. So gente bebendo comportadamente.

Bueno, pra finalizar, o POVO. Nao vao falar com voce nem te ajudar nas ruas por livre e espontanea vontade. Os mais velhos raramente falam ingles, e podem se irritar se voce tiver dificuldade de se comunicar minimamente em mercados, metros etc. Ninguem e `extrovertido` no sentido brasileiro-carioca do termo, o que tem um lado bom, ja que ninguem tambem e folgado ou por demais expansivo. Hostilidade, nao senti, talvez so certa impaciencia, mas algo bem localizado. O que o brasileiro certamente vai estranhar e a `mascara facial` russa. A primeira `face` que o sujeito te apresenta e sempre seria, sem sorriso, exalando um certo tedio existencial profundo, ou talvez um desdem pela sua existencia no mundo. Mas, e so nao se assustar que da tudo bem.

Bueno, amanha e o ultimo dia completo aqui. Confesso que nao sei ainda o que vou fazer, talvez algumas compras, tipo lembrancas e souvenirs. E, possivelmente, um jantar ao grande estilo no `Idiota`, se os rublos permitirem.   

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Dia 7 - O Idiota sempre salva




Dia 7 – O Idiota sempre salva

Meus amigos, depois da jornada noite branca adentro de domingo, queria dormir ate quase meio-dia. Contudo, as nove horas minha anfitria Elena ligou, para acertar alguns detalhes domesticos. De pe e com sono, olhei pra fora e vi que chovia sem parar. Confesso que deu mais preguica ainda, e so fui sair de casa quase meio-dia. Meu destino era a Mansao Rumyantsev, outrora a luxuosa residencia do tal Conde Rumyantsev, e hoje um museu que abriga exposicoes sobre a historia da cidade.

Chovia MUITO. Diante disso, e da bolha que feria meu pe, combinei o metro com onibus, para diminuir os deslocamentos. Claro que nao adiantou nada, ja que fiquei rodando como um peru doido ate achar o ponto correto. Aqui, voce paga a passagem para uma bilheteira, que fica sentada junto com os passageiros e se movimenta pelo interior do onibus para coletar a grana. E de praxe que as pessoas deem dinheiro uns para os outros numa `corrente`, pois se o buzum esta lotado e impossivel para a velhinha chegar la atras.

Saltei QUASE no ponto certo, e devo dizer que continuava a chover MUITO. Cheguei na mansao, e estava bem vazia. Maravilha…fui direto para a exposicao permanente sobre a chamada Grande Guerra Patriotica e o Cerco a Leningrado. Trocando em miudos, era uma exposicao sobre o cotidiano da populacao da cidade durante o cerco nazista na II Guerra, um episodio marcante do conflito, dada a tenaz resistencia dos russos.

A exposicao e emocionante. Estao la cartoes de racionamento, diarios de criancas, fotos da destruicao, mapas, uniformes velhos, cartazes de propaganda, fotos dos atiradores de elite do Exercito Vermelho (os lendarios snippers comunistas abateram centenas de nazistas) e diversos registros que procuram propagar a memoria da resistencia sovietica no periodo. Eu conhecia o episodio, que atraiu atencao do mundo todo na epoca, mas aprender um pouco mais sobre o cotidiano do povo no periodo foi fodastico. Ainda pude ver outras exposicoes sobre a vida durante os anos de 1920-1930, que tambem eram interessantes, mas nao cativavam tanto como aquela sobre a II Guerra.

Com espirito patriotico elevado (mesmo que de emprestimo), me dirigi para a Catedral de Sao Isaac, uma construcao colossal atras da Praca dos Dezembristas. Chovia MUITO, como eu ja disse. E ai me veio a suprema ideia de jerico, motivada pela burrice e pela falta de informacao. Eu tinha a opcao de entrar no `museu` da Catedral ou nas `colunas`, ou em ambos. Como a fome apertava, escolhi `colunas`, imaginando que elas dariam acesso a uma visao mais ampla do interior da Catedral. ERREI FEIO, ERREI RUDE. Primeiro, uma porra de escada estreita completamente proibitiva para fumantes, mesmo que moderados, e povoada por familias tirando fotos, o que parava sempre a fila. Chegando la em cima, me descobri ao ar livre, no topo da Catedral. As `colunas` devem ser um lugar sensacional para se ver a cidade ao fim da tarde, com uma brisa solar leve batendo. Com vento e chuva, senti-me como um pobre sovietico no Cerco a Leningrado, passando frio e sofrendo. Dei uma volta protocolar, e logo comecei a descida, tambem interminavel. Agora tinha uma ideia fixa: COMER NO IDIOTA.

O `Idiot`, como informei no post anterior, e um restaurante acolhedor e tranquilo nas margens de um canal menor. Pra la eu me dirigi, e novamente fui recompensado. A truta nem estava tao especial, mas a conjuncao da comida, mais a vodka de graca, o meio litro de cerveja russa, o café e a liberdade para fumar um cigarrito me deixaram leve e seco. E resolvi caprichar na sobremesa, pedindo o `sonho do Idiota`: sorvete com creme azedo (tradicao aqui), morangos e syrup. Sensacional, sensacional…

E assim voltei para ca, tao disposto que resolvi encarar o metro na hora do rush. A vodka da coragem, amigos. E nao me abati, mesmo com as interminaveis baldeacoes e aquela classica caminhada de 20 minutos da estacao Chernychevskaya ate o predio, passando por dentro do parque enlameado. De tudo que vi, o lugar que levo como meu canto aqui e esse restaurante, que pela segunda vez me levantou a moral. Se a escassez de rublos na carteira me obrigar a fazer opcoes nos dois proximos dias, o Idiota ja esta garantido. 

PS: Para esclarecer os diferentes nomes da cidade: De 1703 ate 1914, SAO PETERSBURGO; De 1914 ate 1924, PETROGRADO; De 1924 ate 1991, LENIGRADO; De 1991 ate hoje, SAO PETERSBURGO de novo. So pra confudir mais, continua a existir LENINGRADO, e uma regiao administrativa federal, tipo o `estado` na qual se situa Piter. Ao que tudo indica, a galera fora daqui nao quis tirar o nome de Lenin da regiao como um todo...